A Nobre casa de Guedes

Este blog não poupará as mentiras de Nobre Guedes e os crimes da rede que anos a fio mercadejou ruínas, terrenos e almas, de forma absolutamente impune. A legalidade exemplar de Guedes é um exemplo vergonhoso de violação das leis, do decoro e da inteligência. A cultura de poder deste turiferário da extrema-direita fede e a prosápia nauseia. Leia este blog com lenço à mão...

13.11.04


JOAQUIM FIDALGO fez uma observação certeira (rara no Público) sobre o caso da casa num texto publicado no dia 10 de Novembro de 2004:«Ficou célebre, aqui há anos, o comentário de um recém-nomeado secretário de Estado dos Transportes (o socialista Murteira Nabo), logo que iniciou funções: disse que de transportes não percebia nada. Depois, claro, lá foi explicando que isto de estar no Governo é sobretudo uma competência política, que os dossiês técnicos aprendem-se rapidamente, o que importa são as equipas, etc., etc. Mas o que nos ficou gravado foi que o responsável pela pasta dos transportes não sabia nada do assunto.
A coisa não é sem exemplo. Já com o actual Executivo, lembrar-nos-emos de como uma senhora tão depressa tinha competência para tratar da Defesa e do Mar como, no momento seguinte, passou a ser competente para tratar da Cultura... Mas não disse publicamente que de Mar nada percebia. Ou de Cultura. Parabéns, portanto, à franqueza de Murteira Nabo.
Parabéns, também, à sinceridade do ministro Nobre Guedes, que há dias veio dizer-nos (e cito do PÚBLICO de domingo passado, 7/11/04) que, quando foi convidado para ministro do Ambiente, "não sabia nada da matéria". Mas disse outra coisa curiosa: embora não soubesse nada de Ambiente, sabia que ser ministro dele implicaria "colidir com muitos interesses". E de interesses, sim, ele já percebia bastante, pois antes de ser ministro era "advogado dos interesses". E agora, depois de ministro, já tem "afrontado muitos" desses interesses.

Confuso? Talvez nem tanto...

Está a ser modesto, o ministro Nobres Guedes. Nós sabemos que ele até sabia umas coisas de Ambiente. Não, não falo nos imbróglios em volta de uma polémica casa de férias que construiu para si, na zona ambientalmente protegida do Parque da Arrábida. Estou a falar do "advogado dos interesses". Então como é que alguém pode advogar certos interesses em questões que colidem com o Ambiente se não percebe nada de Ambiente? De certeza que percebe, até porque precisa de saber de que modo se contra-argumenta com os poderes legais quando se quer defender um interesse que pode trazer prejuízos ecológicos. Ao que consta, ele foi sempre um advogado muito competente nessa matéria, com sucesso até junto de autarquias de cor política oposta à dele. É bem provável que perceba mais dos "interesses" do que do Ambiente; mas que percebe de uma e de outra matéria, disso não há dúvida. »