A Nobre casa de Guedes

Este blog não poupará as mentiras de Nobre Guedes e os crimes da rede que anos a fio mercadejou ruínas, terrenos e almas, de forma absolutamente impune. A legalidade exemplar de Guedes é um exemplo vergonhoso de violação das leis, do decoro e da inteligência. A cultura de poder deste turiferário da extrema-direita fede e a prosápia nauseia. Leia este blog com lenço à mão...

20.10.04

UM «PRóS E CONTRAS» FALHADO

ANUNCIAVA-SE ISTO:


«O Ministro do Ambiente vem ao o Prós e Contras.

Depois do polémico relatório sobre a refinaria da Petrogal em Leixões, e da recente querela sobre a defesa da Serra da Arrábida, que envolveu a casa do próprio ministro, Luís Nobre Guedes dá a cara, pela primeira vez, num debate de televisão frente a Pedro Silva Pereira - o ex-secretário de Estado do Ambiente de José Sócrates, que construiu o projecto “Pólis” e que defendeu o processo de co-incineração dos resíduos tóxicos das cimenteiras.

O Prós e Contras vai reunir, ainda, um conjunto de notáveis e especialistas sobre o Ambiente. Serão apresentados casos concretos e o programna contará, também, com os comentários da jornalista especialista em Ambiente Luísa Schmidt, autora da série televisiva “Um retrato ambiental”.

O tema é de permanente actualidade. O mais recente relatório da União Europeia afirma que as três empresas mais poluentes da Europa são portuguesas. A notícia é tanto mais grave quando se sabe que em Portugal os crimes ambientais não são devidamente punidos.

Poluição; tratamento das águas e resíduos; ordenamento do território e capacidades energéticas são aspectos que nos preocupam a todos.

É preciso fazer a avaliação das políticas ambientais. O que está a ser feito para diminuir os resíduos tóxicos? Como estamos a proteger a Serra da Arrábida e outras reservas naturais? Qual é a qualidade da água e do ar que respiramos?

O Planeta está cada vez mais cinzento. Que futuro estamos a deixar às próximas gerações? Prós e Contras, terça-feira à noite,dia 18, na RTP 1.»

O plano era grandioso. Quem viu o programa não teve nada disto.Na assistência faltavam interlocutores.No palco Guedes debitou vacuidades, alavancadas em frases batidas da propaganda direitista com disfarce de caramelo("eu tenho o sonho...", " a minha filha pekinita diz-me: paizinho não desistas!", "admiro e adoro Mário Ruivo e Ribeiro Telles").
Nada de concreto salvo a ideia de que "vai decidir" "dentro de um mês" (tudo).Sobre a casa NADA ( a vivenda pairou sobre o programa como um tabú). Refirmação de que vai parir um Plano até 31 de Dezembro.Sabe-se lá como!Não explicou nem lhe perguntaram.

O general da Quercus disse inocuidades e uma asneira ( as casas, devidamente integradas e ecológicas,não causam fogos, nem impedem a protecção da Natureza - até podem ajudar; a Q insiste nesta obsessão: devia estudar o fogo de Julho de 2004, onde falhou...o apoio aéreo para ir às zonas fechadas onde não há casa alguma, nem...acesso. Sobre isso e as responsabilidades do Guedes o Spínola nada disse.Escolhas...).

A Luísa Schmidt fez um bom balanço: faltaram os contras, faltou profundidade, faltou contraditório mesmo. Mas àquela hora debatia-se na SIC o jogo Benfica-Porto, pelo que a poluição foi dupla...

1 Comments:

Blogger zorros said...

O programa foi todo ele um equívoco. Desde logo, porque faltou o contraditório, não foram convidadas as associações ambientalistas locais que lutam no terreno pela defesa do ambiente, que discutem os planos de ordenamento e que se opõem à política do governo e aos interesses instalados. Mas estava um ex-Secretário de Estado preso a alguns erros do passado, um militante do PSD ligado ao lobby das energias alternativas, um filósofo bem intencionado mas que só pensa em termos desligados dos problemas concretos, e outros "notáveis" que vivem de um estatuto de representatividade que não merecem. Nestas condições o Ministro, que começou claramente à defesa, encontrou oportunidade para dizer que "estamos todos do mesmo lado" (isto é, o Governo e os defensores do Ambiente)dado que todas as declarações dos intervenientes eram suficientemente gerais e abstractas. Foi por isso que, antes do segundo intervalo, Luísa Schmidt teve que fazer um apelo dramático ao surgimento da diferença! Ela não existia no debate! Mas já era tarde demais e Nobre Guedes tinha conquistado espaço para declarar toda a gama de vacuidades e de asneiras, para revelar a sua completa ignorância em relação aos dossiês mas, ao mesmo tempo, para evitar o desmascaramento público.
Em relação à Arrábida não podia ser pior. Ninguém foi capaz de colocar o problema das demolições no contexto das restantes ilegalidades reveladas pelo relatório da IGA, de revelar os erros do Plano de Ordenamento e de exigir a sua correcção e um novo debate público, de exigir a completa divulgação do relatório da IGA e a investigação a todo o tempo de existência do PNA, de confrontar o Ministro com as ilegalidades da sua casa, etc. E não foram capazes de o fazer porque a maioria daqueles que foram chamados a pronunciar-se sobre a Arrábida são precisamente parte dos responsáveis pelos seus problemas actuais.
No final, mais uma vez Luísa Schmidt, percebendo o desastre, ainda fez algumas referências nas entrelinhas em relação à hipocrisia que passou por aquele confronto sem Contras, que terão sido percebidas por quem está muito por dentro dos problemas ambientais. Mas terão sido poucos aqueles que conseguiram decifrar este puzzle. Enfim, uma noite para esquecer.

José Porfírio

20 de outubro de 2004 às 23:10  

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