A Nobre casa de Guedes

Este blog não poupará as mentiras de Nobre Guedes e os crimes da rede que anos a fio mercadejou ruínas, terrenos e almas, de forma absolutamente impune. A legalidade exemplar de Guedes é um exemplo vergonhoso de violação das leis, do decoro e da inteligência. A cultura de poder deste turiferário da extrema-direita fede e a prosápia nauseia. Leia este blog com lenço à mão...

15.10.04

A QUERCUS QUEBROU O SILÊNCIO...


Depois de um longo silêncio, a Quercus tomou posição sobre o relatório da IGA (que nunca pediu e para o qual nunca contribuíu).

Agora veio exigir (no dia 15) " inspecções a todas as Áreas Protegidas, na sequência do inquérito da Inspecção- Geral do Ambiente que apurou a existência de centenas de incorrecções/infracções em processos de autorização de construção no Parque Natural da Arrábida".

Opina que " a intervenção da Inspecção-Geral do Ambiente na Arrábida deveria ser alargada a todas as Áreas Protegidas e apela ao Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território para que inicie a investigação nos outros Parques e Reservas Naturais". E adita:

"É para nós óbvio que áreas como Sintra-Cascais, Ria Formosa, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, S. Mamede, entre outras, apresentam uma ocupação com construções que contraria os objectivos de ordenamento do território e de conservação da natureza estabelecidos", refere o documento da Quercus, considerando que seria prematuro assumir-se que o Parque Natural da Arrábida constitui o único caso de "gestão duvidosa".

NOTA: claro que não. O curioso é que só agora esta entidade - que em 2002 apoiou o aborto escrito por Celso Santos para servir de pseudo-plano de Ordenamento da martirizada zona da Arrábida - veio descobrir que pode haver gestão danosa em parques vários, Trabalhou de mão dada com o autor das irregularidades investigadas, mas nada notou. Avista agora a floresta enorme da corrupção nacional, sem se lembrar deste pequeno pormenor histórico.

Continua o comunicado:
"Reconhecendo que os meios disponíveis na Inspecção-Geral do Ambiente são muito limitados (um quadro de treze inspectores), a Quercus sugere um levantamento, por amostragem, para determinar a eventual necessidade de uma investigação mais profunda em cada uma das outras áreas protegidas".

Relativamente à gestão do Parque Natural da Arrábida, a Quercus reclama "a divulgação das irregularidades identificadas pela Inspecção-Geral do Ambiente, salvaguardando a matéria que venha a ser alvo de procedimento judicial e que esteja em segredo de justiça".

DEMOLIÇÕES JÁ!

Tal como em 2002 - altura em que Isaltino tentou deitar abaixo a casa do agricultor Florentino Duarte - a QUERCUS vem apoiar o governante de extrema-direita Guedes, sem se dar ao trabalho de consultar os processos que estão em apreciação nos tribunais. Por isso defende que "as demolições anunciadas no Parque Natural da Arrábida devem ser efectuadas "rapidamente", uma vez que resultam de decisões do tribunal suspensas há cerca de dois anos por estar em execução o Plano de Ordenamento.

NOTA: A prosa é embrulhada : (1) não está em execução plano nenhum: nem está elaborado, nem se conhecem estudos completos para esse efeito já preparados pelo Instituto Superior de Agronomia; (2) as decisões "suspensas" a aguardar Plano estão impugnadas pelos interessados, que a Quecus trata com sanha igual à do Ministro e com o mesmo grau zero de respeito pela tramitação dos processos judiciais; (3) a Quercus acha normal demolir primeiro e planear depois, o que a tornará num singular caso de adesão à linha RAMBO...
E no entanto a mesma entidade opina que "a
solução definitiva para o Parque Natural da Arrábida passa, justamente, pelo novo Plano de Ordenamento que deverá ser aprovado pelo governo até 31 de Dezembro do corrente ano".

NOTA: Outro sim maravilhoso à mirabolante ideia de Guedes de fazer um rabisco sem debate público, nem estudos (ou terá a Quercus tirado do caixão o texto do Celso?). Espera-se que - sendo esse o caso - vá com o Ministro discutir o texto com os pescadores, agricultores, moradores, acompanhados de abundante GNR e muitos trabalhadores do SIS...

ATÉ A QUERCUS PEDE EXPLICAÇÕES SOBRE A NOBRE CASA....

A Quercus reclama também mais esclarecimentos sobre a casa do ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, considerando que "não são suficientes" as informações prestadas pelo próprio ministro e pela Câmara Municipal de Setúbal.
Apesar de se tratar de um organismo sob a dependência do próprio Ministro do Ambiente, a Inspecção-Geral do Ambiente seria a entidade em melhores condições para apurar um conjunto de questões fundamentais para uma avaliação mais correcta de todo o processo.

Sem pôr em causa a legalidade processual, a Quercus defende que a Inspecção-Geral do Ambiente deveria fazer uma "comparação entre as infracções registadas noutros processos investigados e os aspectos até agora denunciados pela comunicação social (sobre a casa de Luís Nobre Guedes) - validação da identificação das ruínas existentes, actuação em área de Reserva Agrícola Nacional, entre outros aspectos".

["Tu quoque, Quercus?!, dirá Guedes, como César ao seu filho Brutus: até tu?!]

Espera-se o eco deste polifacetado cabaz de posições!

1 Comments:

Blogger zorros said...

É absolutamente extraordinário que a Quercus considere o Ministro do Ambiente um interlocutor com capacidade para patrocinar actividades que podem pôr em causa os seus próprios interesses pessoais já instalados no terreno com a ajuda explícita da Câmara de Setúbal. Os organismos dependentes do Ministério a investigar a autenticidade das declarações e dos processos que envolvem o titular do mesmo é uma verdadeira contradição nos termos. Mas o pior de tudo é a urgência com a publicação do Plano de Ordenamento até 31 de Dezembro. Convém recordar que a primeira versão deste Plano foi contestada por todos os sectores da opinião pública representados na Arrábida com excepção da Quercus. Pergunta ingénua - porque será? Resposta óbvia - porque a Quercus participou na elaboração daquela versão do Plano e, por isso, acha-o tecnicamente perfeito. Curiosamente não parece ser essa a opinião de reputados técnicos de extacção universitária entretanto consultados para apreciar o documento. Segunda pergunta ingénua - então porque é que a Quercus se comprometeu com um texto que é tecnicamente mal fundamentado e arbitrário em muitos das suas opções? Segunda resposta óbvia - porque ele consubstanciava o stato quo instaurado no terreno por décadas de "gestão danosa" que se "esqueceram" ou não quiseram explicitar. A conclusão é, evidentemente, que não se pode elaborar uma nova versão do Plano de Ordenamento sem ter em conta os dados revelados pelo relatório da IGA (e outros) e sem o pôr de novo à discussão pública. Está em causa o debate para procurar critérios de ordenamento do território que sejam sufcientemente transparentes para serem aceitáveis. E devem envolver todos os casos, os que constam do relatório da IGA, os que se prendem com as demolições e muitos outros que se venha a provar que existem como a casa do Ministro. Se não for assim é uma pura operação de cosmética. É por isto que a operação "demolições já" é mais uma tirada demagógica.

16 de outubro de 2004 às 02:41  

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