A Nobre casa de Guedes

Este blog não poupará as mentiras de Nobre Guedes e os crimes da rede que anos a fio mercadejou ruínas, terrenos e almas, de forma absolutamente impune. A legalidade exemplar de Guedes é um exemplo vergonhoso de violação das leis, do decoro e da inteligência. A cultura de poder deste turiferário da extrema-direita fede e a prosápia nauseia. Leia este blog com lenço à mão...

12.10.04

O Jornal de Setúbal (11-10-04) titula na p. 3: «Técnicos da câmara constataram que as ruínas mediam apenas 45m2» (com o antetítulo«Casa de Ministro Nobre Guedes envolta numa "nuvem de fumo"»). Uma foto da casa tem a seguinte legenda-síntese:
"Aranha Figueiredo confirmou que a câmara concedeu a licença de construção da casa de Sofia Guedes, mulher do ministro NG, baseado na caderneta predial, que refere a existência no local de uma antiga construção com 168 m2, mas os serviços camarários só detectaram ruínas com 45m2".

O artigo (de Fátima Brinca) cita Aranha F. O vereador comunista amigo de Guedes repetiu numa sessão feita em S. Simão a tese de que a câmara cumpriu "todas as legalidades".Um morador de Brejos de Azeitão quis saber mais e Aranha ripostou :"levanta-se uma nuvem de fumo à volta deste processo, sem qualquer justificação".
Se o morador leu o AVANTE! de dia 7-10-04 criticando as ilegalidades do licenciamento (texto integral transcrito adiante), deve ter ficado perplexo (Aranha heterodoxo, "contra a linha do Partido"?!).
AF explicou depois que a câmara passa 2 licenças - de construção e de utilização . A primeira foi passada com base nas informações das finanças na caderneta predial, que referia 168m2 (NB:sabemos porquê; o vendedor, sem prova, declarou essa área, em concertação com Guedes).
Aranha é de poucas letras e zero em códigos, pelo que nem percebe que a versão ortodoxa fixada pelo grande Guedes não é essa (vide carta ao Expresso, 9-10-04),
Guedes assinala que o que vale é a medição do Parque. Só por singular felicidade é que, no seu caso exemplar, o valor "martelado" pelo Parque coincide maravilhosamente com o que ele e o vendedor puseram na previdente escritura e declararam no registo.
Que importa a Aranha que os papéis na posse do Parque e os arquivados na Câmara sejam diferentes?!Que lhe importa que haja uma medição fraudulenta a servir de base ao parecer do Parque? Para ele bastaria ter olhado para a caderneta para carimbar sem mais o que lá foi dolosamente posto pelos interessados...

TERESA ALMEIDA (antecessora de Aranha no pelouro do Urbanismo) é citada também:
a) supresa pelo facto de a IGA revelar que houve falsificação de documentos enviados pelas câmaras, que não correspondem aos enviados pelo Parque;
b)todos os processos eram sujeitos a parecer do Parque e a autarquia na anterior gestão nunca alterou qualquer decisão;
c)é uma surpresa que haja flasificação nos documentos que circulavam entre a câmara e o Parque;
d)em relação aos processos investigados (abrangendo o período 1998/2002) e que possam ter sido alvo de irregularidades, TA assevera não ter conhecimento das pessoas, mas adianta uma frase misteriosa: " qualquer pessoa que tenha adquirido um terreno
na Arrábida tem que ser da classe média/alta, face aos custos de tal aquisição".
Deve ser lapso: nas centenas de processos analisados não haveria nenhum aberto por pedido de licenciamento apresentado por algum filho da terra da classe média/baixa e até da classe baixa/alta e baixa/baixa?!
O pobre camponês Florentino pediu uma licença, mas como não usou o truque da ruína, foi indeferido o requerimento,Como ele, muita outra gente que não é da classe média/alta...

2 Comments:

Blogger zorros said...

O comportamento da Câmara de Setúbal nesta matéria é insustentável do ponto de vista dos princípios, ainda que coerente com a prática do PCP na autarquia. Recorde-se apenas que foi na vigência das actuais maiorias PSD/CDS no governo e PCP na Câmara que se revalidou a licença de exploração da cimenteira Sécil por mais 25 anos, esta última muito contestada no período da luta contra a co-incineração. O argumento habitual para defender uma chaga ambiental como a Sécil (que come todos os dias um enorme pedaço da Serra na sua pedreira)é a conservação dos postos de trabalho. Acontece que esta fábrica é, hoje, muito automatizada e dá poucos empregos e, segundo se diz no mercado, está em vias de se tornar uma empresa inviável. Tudo isto porque existe uma intenção de investimento na zona da Mitrena utiizadora de uma técnica de produção que prescinde da pedreira e compra a matéria prima a preços muito mais baixos. Nestes termos a quem interessa o prolongamento da vida da Sécil? Naturalmente só interessa aos donos da Sécil que estão ligados por mil fios a interesses locais, alguns deles até no campo dos tradicionais defensores da ecologia! Nestes termos, se um dia se colocar a hipótese de deslocalizar a Sécil ao abrigo de quaisquer directivas relacionadas com o ambiente alguém irá reclamar uma choruda indemnização para os proprietários de uma cimenteira em vias de perder valor no mercado. As voltas que o mundo dá.

13 de outubro de 2004 às 12:20  
Blogger zorros said...

A prática da Câmara de Setubal é contraditória com os bons princípios, mas é coerente com a orientação do PCP nesta autarquia. Recorde-se que, pela segunda vez, é na vigência de uma maioria de direita no governo e de uma maioria do PCP na Câmara que se renova o direito de exploração da Sécil por mais 25 anos, depois da cimenteira ter sido muito contestada durante as lutas contra a co-incineração. O argumento é a defesa dos postos de trabalho. Acontece que a Sécil está muito automatizada e poucos postos de trabalho cria e, segundo consta no mercado, está em vias de se tornar uma empresa inviável. Tudo porque há uma intenção de investimento para a zona da Mitrena que prescinde da pedreira da Arrábida (uma chaga que todos os dias come um pedaço da Serra)e compra a matéria prima a um preço muito mais baixo. Neste contexto a quem interessa o prolongamento da vida da Sécil? Naturalmente, aos seus proprietários que têm muitas ligações com interesses locais, inclusivamente junto de ecologistas. Se, porventura, a Sécil viesse a ser deslocalizada por imperativo de uma qualquer directiva ambiental (Plano de Ordenamento da Arrábida, por exemplo)poderia reclamar uma choruda indemnização.

13 de outubro de 2004 às 14:05  

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