A Nobre casa de Guedes

Este blog não poupará as mentiras de Nobre Guedes e os crimes da rede que anos a fio mercadejou ruínas, terrenos e almas, de forma absolutamente impune. A legalidade exemplar de Guedes é um exemplo vergonhoso de violação das leis, do decoro e da inteligência. A cultura de poder deste turiferário da extrema-direita fede e a prosápia nauseia. Leia este blog com lenço à mão...

9.10.04

EXPRESSO CONFIRMA IRREGULARIDADES NA CASA DE GUEDES

O EXPRESSO (9-10-04) publica uma epístola prolixa em que Guedes debita a versão mais ortodoxa do seu Evangelho sobre a legalidade exemplar da sua performance do “truque da ruína”.
A prosa é muito útil para o inquérito – agora inevitável – ao licenciamento. Politicamente em pleno “caso Marcelo” é suicida pôr no Expresso um texto que começa precisamente por confessar que o Ministro tentou manipular o jornal.

1)Logo à cabeça (ponto 1) NG confessa que enviou a toda a comunicação social, via assessor, um dossiê com “toda a documentação”.Eis os tais assessores (de que fala Pacheco Pereira) no seu melhor! Não diz que o dossiê estava incompleto e era uma peça de intox, razão pela qual jornalistas digno do nome não se limitam a publicar as verdades oficiais. No caso, o Expresso tinha investigado exaustivamente.
2)Confessa depois que lhe constou (“constou-me”) que a jornalista do Expresso continuaria com algumas dúvidas. Como?! Fez deduções? Alguém lhe telefonou? Um pássaro disse-lhe? O Governo sabe que estão em gestação peças jornalísticas em que podem ser vertidas dúvidas e age pressionando?
3)Exacto! No ponto 2 Guedes faz um “log” das pressões: às 16:07 de 24 de Setembro enviou um fax tipo “habla comigo”. Às 18:25 outro.
4)Esquece-se de narrar se além disso fez mais (por exemplo, tentar adiar a publicação do trabalho até chegar ao Expresso a epístola com a “verdade oficial”, recusar informações imediatas, pressionar de forma mais hard…). Mas esquece-se que há quem saiba tudo, com horas e até talvez com gravações…
5)A seguir espanca o EXPRESSO (estilo Gomes da Silva) dizendo que o artigo que publicou a 25 de Setembro: teria sido escrito com base em “insinuações gravíssimas” (acrescentando, zangado, “o superlativo é propositado”) e em factos “objectivamente falsos”; escrito com requintada perfídia e má fé ( mais uma vez o vírus Gomes da Silva, que disse que Marcelo “destilava ódio”!); o teor do dito “atingiu a honra e o bom nome de toda a minha família” (exagero: os míudos e a tia Nini nunca foram tiveram alusão e a própria requerente Sofia foi sempre tratada com simpatia porque percebe-se logo quem arquitectou o truque da ruína!); “Além do enorme enxovalho, vergonha e sofrimento que todos sofremos”…
6)Pelo que anuncia que vai pôr o EXPRESSO em tribunal,pedindo uma indemnização de 457 688,12 euros por danos ( número fantástico que iguala o que Guedes diz que declarou ao Fisco em 2003, o que deve levar o dr.Bagão a investigar por que é que este superadministrador de empresas e advogado top declara este rendimento tão light para sua frenética e afinal mal remunerada actividade.
7)A seguir repete tim tim por tim tim o Evangelho da legalidade exemplar com deslizes enormes:
•assume ponto por ponto a mentira da ruína originariamente grande, escrevendo que a comprovou ele mesmo “com todo o rigor” e que o gigantismo da ruína era perfeitamente evidente (salvo para os olhos dos comuns).
•Assume que avançou para a compra depois de a 30 de Junho de 1999 a Câmara de Setúbal ter comunicado que licenciaria a obra se respeitado o Parecer do Parque. Tendo optado por aplicar –do vasto cardápio possível – o “truque da ruína – Guedes incluíu na escritura a menção a uma parte urbana omissa na matriz, forma gira de aludir a uma casa que – confessa- estava em ruínas desde 1917.
•Quando o Expresso lhe pergunta que certezas é que lhe davam a matriz inscrita nas finanças de Setúbal e no Registo Predial (tudo feito com base em declarações dos proprietários, sem provas concretas), responde com jactância que o atestado de autenticidade da suposta mega-ruína não é a matriz das finanças.E logo a seguir a frase mortal: “ O PNA não está vinculado à inscrição matricial”.
•Eis uma bela confissão do cerne do “esquema da ruína”: os medidores medem o que lhes aprouver e isso faz lei!!!Mas como é pelas duplas cautelas Guedes teve o cuidado de pôr na matriz (sem provas) o mesmo que os seus amigos do PNA puseram no relatório (também sem provas, mas coincidindo no número divino). Note-se a soberba do esperto: o número não tinha de coincidir, mas coincide, partindo do princípio de que os outros são tontos ao ponto de não investigarem como foi martelado o processo.
•Mete os pés pelas mãos quando lhe perguntam por que é que a escritura alude a uma “parte urbana para habitação com área coberta de 168m2” quando desde 1917 era um casebre arruinado: em língua de pau, diz que a descrição consta nesses termos na certidão de registo predial “a qual como é de lei foi exibida na escritura”. Tudo pela lei, Guedes! Só que a descrição é feita com base em diligência dos vendedores - devidamente treinados pelo advogado comprador…e –coisa essencial - sem prova alguma. Buraco da lei? Claro, mas Guedes respeita tanto a lei que respeita os próprios buracos da lei, que quando nascem devem ser usados com todo o respeito. Esta vergonha é hoje o Ministro que é suposto defender a lei ambiental, buracos incluídos!
•Acaba a dizer que é tudo !exemplarmente legal! se assim não fosse autodemolia tudo(destrutivo este Guedes!) e que quando se defrontam interesses e pessoas influentes temos de estar preparados para tudo. Prevê ainda que “o episódio da moradia foi apenas o primeiro” (revelando uma certa consciência de que está no meio de uma avalanche) e repete as ameaças do costume.

Em resposta o EXPRESSO aprofunda a investigação e conclui que as irregularidades se somam e que são iguais às detectadas pela IGA noutras casas da Arrábida:

1)A licença de construção dada pelo PNA é de 17-02-03, mas o parecer técnico só foi dado em 3-03-03 ( é o tal em que o Pernão, filho do vendedor, e a técnica Cabral fizeram a medição mágica, com um desenho estranho que está publicado aqui no blog. É um dos tais “deferimentos sem que constasse do processo o levantamento completo do conjunto edificado”..
2)A licença foi condicionada a prova de que o terrenos tinha sido desafectado da RAN, coisa de que não há prova;
3)Não foi equacionada a viabilidade económica da exploração agrícola, sendo certo que do dossiê constam uns papéis sobre coisas agroflorestais (Guedes plantou umas oliveiras raquíticas e umas flores ), coisa estranha (Aranha diz que isso não importa, pode-se construir casa de lazer sem mais, tese nova nunca aplicada a outros);
4)Os dossiês Guedes são diferentes em Setúbal e no PNA e
5) O levantamento topográfico foi feito por Joaquim Bravo, empreiteiro e …técnico da câmara de Setúbal.Confessa ao Expresso que qd fez o levantamento estava tudo cheio de mato e só se via a ruína de 45m2, mas como na escritura estavam 168m2 determinou que era o que teriam tido “no seu conjunto” . E quem pôs na escritura os 168m2???? Guedes!
6) Bravo lá adita que “só depois encontrou as fundações do resto”, mas a tese das maxifundações da miniruína carece de prova no processo e assenta apenas na medição feita pelos funcionários que a IGA pôs em causa por irregularidades às centenas.
7) O Ministro, totalmente arrogante, disse ao Expresso que não pedirá à IGA que examine o seu processo, porque –decreta ele – “decorreu com exemplar legalidade”. A frase final é digna de Maria Antonieta: o IGA “não está ao serviço dos interesses pessoais do Ministro”, “nem da curiosidade jornalística do Expresso”.
Mas ,caro Guedes, calar o IGA é que serviria os interesses pessoais do advogado que agora está ministro!!! E seríamos uma República das Bananas se um Ministro se pudesse pôr acima da lei, autoilibando-se com base no parecer de funcionários que vai ter de castigar disciplinarmente e pôr no banco dos réus. Ainda há juízes em Portugal…E talvez até haja Parlamento e PR.