A Nobre casa de Guedes

Este blog não poupará as mentiras de Nobre Guedes e os crimes da rede que anos a fio mercadejou ruínas, terrenos e almas, de forma absolutamente impune. A legalidade exemplar de Guedes é um exemplo vergonhoso de violação das leis, do decoro e da inteligência. A cultura de poder deste turiferário da extrema-direita fede e a prosápia nauseia. Leia este blog com lenço à mão...

13.10.04

Câmara de Setúbal recusa licença de habitação a Nobre Guedes

A Câmara Municipal de Setúbal recusou atribuir a licença de utilização à casa do ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, na Aldeia da Piedade, Serra da Arrábida, em Setúbal, por dois telheiros e um depósito de gás não estarem de acordo com o projecto apresentado.

O Diário Digital "pica" uma notícia do DN sobre a operação-disfarce lançada pelos edis de Setúbal. Curiosa a forma como o faz:

«Segundo avança a edição desta quarta-feira do Diário de Notícias, a autarquia decidiu dar ao governante um prazo de 30 dias para apresentar um pedido de licenciamento de alterações.
Esta recusa surge uma semana depois de o vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Setúbal, Aranha Figueiredo, ter anunciado ao DN que, «após vistorias e avaliações feitas, a licença deverá ser emitida dentro de pouco tempo, porque todos os requisitos e pareceres foram avaliados e não foram detectados dados irregulares ou ilegais».

NOTA: Capta-se aqui bem que Aranha se precipitou e, excitado, andou a dizer que Guedes podia finalmente ir passar umas tardes ao fundão onde reciclou a ruína, rodeado de GNR e com painéis para se tapar quando mergulhar na piscina aquecida. Agora Aranha descobriu que há um problema, dois ou 3. Para se armar em atento e virtuoso encenou este aviso ao amigo do PP, que obediente disse logo que tudo fará para acatar a lei. Mas tb ele já fez antes de ter licença!!!!O Aranha tem tal QI que não enxerga que expôs o amigo a mais uma revelação pública de desprezo pela lei que jura venerar!!!
E ainda se recusa a perceber que o amigo está em dificuldades por ter viciado o tamanho da ruína e ter invocado como causa de construir...tomar banhos de piscina, sem actividade agrícola nem habitação própria.

Continua a notícia:
Já o Ministério do Ambiente, considerou a exigência da Câmara de Setúbal «normal», já que «sempre que se fazem alterações ao projecto é preciso pedir o seu licenciamento».

NOTA: tudo sempre normal desde que seja Guedes o autor. Fez um projecto e construíu outro da mesma forma que comprou uma ruína e inventou outra. Sempre o mesmo padrão de actuação normal.

No entanto, frisou a mesma fonte, em declarações ao DN, «a família do ministro vai apresentar tudo o que foi solicitado para tudo ser feito com a máxima transparência, cumprindo todos os requisitos».

NOTA: Idem, sempre pela lei.

1 Comments:

Blogger zorros said...

Esta operação de cosmética da Câmara de Setúbal é tão evidente nos seus propósitos que funciona completamente ao contrário. Toda a gente percebe que a implicação com dois pormenores da vivenda do Ministro só tem a intenção de provar o zêlo dos autarcas e esconder a violação fundamental que é todo o processo em torno da ruína. A perfeita articulação entre Nobre Guedes e a Câmara é óbvia até nos momentos escolhidos para produzir notícias e declarações públicas. Assim, a RTP exibiu hoje em pleno Telejornal uma notícia em que o Ministro declarou a sua casa completamente legalizada com excepção de uns pormenores que serão corrigidos e, acrescenta, será "implacável" em relação às demolições! O tom é extremamente claro quanto ao raciocínio que corre no íntimo - "eu resolvi o meu problema, vocês aí a umas centenas de metros não o conseguiram fazer e eu declaro que logo que possa vos lanço com as máquinas em cima". Confesso que esperava uma pouco mais de subtileza na argumentação (ainda que não nas intenções) e de inteligência nos procedimentos, mas estes não parecem ser os pontos fortes deste ministro (também não sei quais são). A verdade é bem clara para todos aqueles que conhecem de perto a situação. Durante mais de 25 anos de Parque Natural da Arrábida existiu uma rede que vendeu os terrenos e assegurou a obtenção das licenças com base em métodos fraudulentos. Isso deu origem a centenas de edificações "legais" mas tão "ilegais" como aquelas quatro que se pretendem demolir, que só não têm o mesmo estatuto das restantes porque entraram em conflito aberto com que manda no terreno. O relatório da Inpecção Geral do Ambiente que está nas estantes do Ministério é bem claro em relação a isto, inclusivamente com os nomes. O Ministro fez exactamente o mesmo que os restantes com o truque da ruína e, portanto, exibe de forma sobranceira um poder desautorizado pela sua própria prática.

Luís Cruz

14 de outubro de 2004 às 00:16  

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