A Nobre casa de Guedes

Este blog não poupará as mentiras de Nobre Guedes e os crimes da rede que anos a fio mercadejou ruínas, terrenos e almas, de forma absolutamente impune. A legalidade exemplar de Guedes é um exemplo vergonhoso de violação das leis, do decoro e da inteligência. A cultura de poder deste turiferário da extrema-direita fede e a prosápia nauseia. Leia este blog com lenço à mão...

30.9.04

VITAL MOREIRA ESCREVE SOBRE o ministerial truque da ruína

<>No blog Causa Nossa, Vital Moreira analisa certeiramente o comportamento pouco nobre (e realmente ilegal) de Guedes, num post com o sugestivo título "

"A Nobre casa de Guedes", ou o ministerial truque da ruína

Eis o texto integral

Ao mesmo tempo que anunciava via Expresso o início da demolição de casas não licenciadas no parque natural da Arrábida (Setúbal), o mesmo ministro Nobre Guedes tratava de licenciar uma casa sua na mesma zona, construída supostamente em substituição de uma ruína preexistente no terreno. Ora, entretanto vem a saber-se que (ver aqui e especialmente aqui):
a) Não existe prova no processo administrativo de que a dita ruína ocupava uma área equivalente ou sequer próxima da da casa que veio a ser construída (supondo que as ruínas davam direito à nova edificação);
b) Existem pelo contrário fortes indícios (quer no terreno, quer, principalmente, em fotografias aéreas anteriores à construção da casa) de que uma minúscula ruína ocupava apenas um quarto da área da nova casa do ora ministro (aliás construída em sítio diferente...).


Se isto é verdade,
então será de concluir que:


a) O ministro prevaleceu-se de falsas informações no processo de licenciamento;
b) Na falta dos pressupostos invocados, o licenciamento só pode ter sido dado por conivência ou favoritismo dos serviços do Parque e serviços municipais competentes;
c) A casa é afinal ilegal, por o licenciamento ser resultado de dolo do interessado;
d) E portanto, para ser coerente, o Ministro deve começar por mandar demolir a sua própria casa, antes das demais, para dar o exemplo.

Se não contraditar convincentemente os embaraçosos indícios contra ele existentes, o ministro coloca em causa a seriedade mínima que se exige a um membro do Governo da República.

Poucas coisas são mais comprometedoras para a confiança democrática do que ver armado em justiceiro um ministro com "esqueletos no armário".


NOTA: este texto formula perguntas concretas a que o porta-voz do Ministro até hoje nunca respondeu, salvo por evasivas, a melhor das quais é a famosa boutade "as fotos aéreas não servem para determinar áreas".
Há um countdown na coligação para ver quantas horas mais é que o Ministro vai passar a fingir que não percebe que foi apanhado a mentir , sem possibilidade de dar o dito por não dito. Há nervos e ranger de juras de vingança...
É tarde de mais para Guedes alegar que foi enganado pelo vendedor, que nunca viu a ruína e acreditou no que lhe diziam os antigos proprietários, que nunca declarou ao Parque que a "parte urbana" tinha 168m2. que foi o Celso que insistiu em atestar que a ruína era grandinha, que foi a câmara de Setúbal que o forçou a aceitar o licenciamento da obra, que nunca o porta-voz veiculou dados falsos...

Finalmente: basta que se saiba quem foi a cadeia humana associada à venda para se perceber que o negócio das ruínas , se calhar, era feito "em rede", com gente no mercado e gente nos serviços do Parque.
Uns localizando ruínas "boas", outros pedindo ao Parque informações-prévias atestando a "viabilidade da ruína" , outros contactando compradores potenciais. Foi com esta gente que se meteu o nobre paladino da nova cultura de poder agora trajado de RAMBO-GUEDES. E o resultado ia sendo perfeito, não fossem os azares de haver provas.

NOTA 2: Ainda falta conhecer os resultados do inquérito da IGAT, fechado na gaveta do Ministro. E o ministro aguarda nervoso as investigações que serão divulgadas pela imprensa no fim de semana.É que ainda há imprensa que percebe que a ruína não salvou Guedes: arruinou-o!